Dia da Mulher e o falso empoderamento feminino das marcas

Março, mês em que se comemora o Dia Internacional da Mulher. Nos últimos dias e principalmente hoje, em que se comemora efetivamente o Dia da Mulher, com certeza você já foi bombardeado por posts, comerciais e algumas dúzias de marcas homenageando as mulheres pela passagem do seu dia. Mas já parou pra pensar em quantas dessas “homenagens” são realmente verdadeiras e trazem os valores reais das empresas?

O apoio das marcas às causas sociais é real ou clichê?

A expressão “empoderamento feminino” nunca foi tão usada pelas marcas como nos últimos tempos, muitas com o real sentido da expressão outras apenas de forma oportunista seguindo a onda do momento. No texto de hoje, especial de Dia da Mulher, mais que fazer a reflexão para tantas outras causas sociais, como a luta contra o racismo e o apoio às causas LGBT, queremos trazer uma visão sobre o posicionamento das empresas frente a esses movimentos.

O posicionamento das empresas frente a onda do empoderamento

A publicidade de forma geral muitas vezes nos passa a falsa sensação de que não existem mais diferenças entre homens e mulheres no mercado de trabalho e que todo esse movimento pelos direitos das mulheres não passa de “mimimi”. As empresas utilizam-se do jargão “empoderamento feminino” para alcançar o público feminino, mostrando em suas propagandas uma valorização artificial da mulher.

Utilizam-se de clichês para se mostrarem ao lado da mulher, entretanto, as próprias empresas têm dificuldade em colocar uma mulher em posição de destaque. O que é uma contradição, pois nem mesmo os salários ou as condições de trabalho das mulheres nessas empresas são iguais às dos homens.

Como posicionar minha marca frente a esses movimentos?

Dê valor a real opinião do público

Tentando aproveitar a pauta do mês da mulher o Ministério do Trabalho resolveu perguntar a elas no Twitter o que é ser trabalhadora. Porém, as respostas não foram exatamente o que eles esperavam, já que a experiência compartilhada pela maioria das mulheres era negativa. Logo esteja sempre preparado para ouvir a verdade e dê valor a ela para determinar a sua estratégia de marketing.

Tenha bom senso, seja oportuno e não oportunista

A pressão da sociedade em geral faz com que a publicidade participe de determinadas questões sociais, como a inclusão de negros e transgêneros nas peças criativas. Com o empoderamento feminino não é diferente. Porém isso pode ser feito de maneira oportuna ou oportunista, esse é ponto!

Um case que merece ser citado neste tópico como uma ação que poderia ser oportunista e tornou-se oportuna é o caso da L’Oréal, que criou um comercial com uma transgênera mostrando sua primeira carteira de identidade no dia internacional da mulher. A ação não ficou só na peça publicitária, a modelo tornou-se a primeira porta-voz mundial transgênera da L’Oréal e foi capa da Vogue francesa. Ou seja, passou de uma mera ação comercial e tornou-se algo real, que representa a causa social de fato.

Não tente ser quem você não é

Como já citamos acima, de nada adianta veicular uma campanha super criativa posicionando-se a favor dos direitos das mulheres, se dentro da empresa esses valores não são praticados. Além de soar falso, isso pode reverter como algo negativo para a marca. Se não faz parte dos seus valores e é somente pelo modismo, é melhor não se pronunciar.

Não se deixe levar pela moda

Por último e não menos importante o “empoderamento feminino” não é uma moda, que é passageira e momentânea. O empoderamento está no dia a dia, no respeito, nas relações, na igualdade de condições e oportunidades. Então ao engajar a sua marca nessa causa, tenha em mente que esse movimento é algo a ser incorporado na cultura da empresa, no cotidiano, no treinamento da equipe e na relação com os colaboradores. Sua propaganda então só refletirá esses valores que já existem internamente.